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A Verdadeira Felicidade Não é Estar Feliz o Tempo Todo

happy and sad smiles
January 10, 2018 11.55am GMT Photo: Pixabay

Nas duas últimas décadas, o movimento favorável à psicologia positiva potenciou e pôs em evidência a investigação psicológica aliada à ciência da felicidade e ao florescimento do potencial humano.
Este movimento argumenta que os psicólogos não se devem só ocupar com o estudo das patologias mentais, mas também com tudo o que faz valer a pena viver, no sentido da felicidade.

O ”Pai Fundador” da Psicologia Positiva, Martin Seligman, descreve a felicidade como o experienciar frequente de emoções positivas, tais como, alegria, entusiasmo e contentamento, combinado com sentimentos profundos de significado e objetivo. Isto implica uma “moldura mental” positiva no presente, e um olhar otimista em relação ao futuro.
Peritos em Felicidade argumentam, muito enfaticamente, que a felicidade não é um estado imutável nem permanente, mas que é sobretudo algo de flexível, para o qual devemos “trabalhar” e com o qual nos devemos comprometer, para o conseguirmos alcançar.
Tenho conduzido “workshops” sobre felicidade nos últimos quatro anos, baseados nas evidências e nos conceitos da psicologia positiva.
Os workshops têm sido muito divertidos, e até ganhei a reputação de ser a Sra. Felicidade, mas a última coisa que quero que as pessoas acreditem é que eu estou feliz o tempo todo. Orientarmo-nos no sentido de ter uma vida feliz é uma coisa, mas querer estar sempre feliz é completamente irrealista.

As investigações mais recentes vão no sentido de que a flexibilidade psicológica é a chave para maiores níveis de felicidade e auto satisfação. Por exemplo, estar aberto a novas experiências emocionais e ser capaz de tolerar períodos de desconforto permitem-nos viver uma vida mais conseguida com mais significado.

Estudos feitos vieram demonstrar que a maneira como respondemos às circunstâncias da nossa vida tem mais influência na nossa felicidade do que os próprios acontecimentos em si.
Sentir stress, tristeza ou ansiedade a curto prazo, não significa que não possamos ser felizes a longo prazo.

Dois Caminhos para a Felicidade

Filosoficamente falando existem dois caminhos para a felicidade, ou melhor, para nos sentirmos felizes, o caminho Hedonista e o caminho Eudaimonista. Os Hedonistas defendem que, para se viver uma vida feliz, se deve maximizar o prazer e evitar a dor. Este caminho, onde se pode obter felicidade quase sempre de curta duração, tem como objetivo satisfazer todos os “apetites” e desejos da pessoa humana.

Por contraste, a abordagem feita pelos Eudemonistas tem como objetivo a felicidade vivida a longo prazo. Os Eudaimonistas argumentam que se deve viver com autenticidade, e para o Bem Maior. Deve-se perseverar na busca do potencial e verdadeiro significado das coisas, através da bondade, justiça, honestidade e coragem.

Se observarmos a felicidade através do ponto de vista hedonista, temos de continuar à procura de novos prazeres e experiências, de modo a potenciarmos o nível da nossa felicidade. Tentaremos minimizar os fatores e as experiências desagradáveis, de modo a mantermos a boa disposição.

Se fizermos uma abordagem eudemónica da felicidade, procuramos alcançar o real significado das coisas, usando as nossas melhores capacidades para tal, tentando contribuir para algo maior do que nós próprios. Esta abordagem pode implicar, por vezes, experiências e emoções desagradáveis, mas conduz, frequentemente, a níveis mais profundos de satisfação e contentamento. Portanto, viver uma vida feliz não é evitar, a todo o custo, os chamados “tempos difíceis”; é realmente ser capaz de responder satisfatoriamente à adversidade, de uma maneira que nos ajude a crescer e a nos harmonizarmos através da experiência.

Crescer através da Adversidade

Existem investigações que comprovam que experienciar adversidades pode ser positivo e bom para nós, dependendo da maneira como “respondemos” a isso. Tolerar situações disruptivas pode tornar-nos mais resilientes e levar-nos à ação, como por exemplo mudar de emprego ou ultrapassar dificuldades.

Em estudos feitos com pessoas que tiveram de enfrentar situações traumáticas, muitos desses estudos descrevem essas experiências como catalisadoras de mudanças profundas e grandes transformações, levando à verificação de um fenómeno conhecido como, crescimento pós traumático.

Frequentemente, quando as pessoas enfrentam dificuldades, doenças ou perdas e, numa fase posterior, descrevem as suas vidas como bastante mais felizes e com significado, isso deve-se ao facto de terem passado por essas experiências traumáticas e terem conseguido lidar positivamente com elas.

Em vez da sensação de felicidade, que é um estado transitório, levar uma vida mais feliz está intrinsecamente ligado ao crescimento individual conjuntamente com a capacidade de encontrar significado, ou seja, sentido.

Ser feliz acontece na medida em que aceitamos a nossa humanidade, com todas as nossas limitações e os nossos altos e baixos, apreciando as emoções positivas e aceitando as emoções mais dolorosas, de modo a atingir todo o nosso potencial.

Traduzido para português por Rosa Maria Oliveira, do artigo”Lecturer in Psychological Interventions”, Universidade de Lancashire – Lowri Dowthwaite. Uclan Online Science of Happiness

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